O uso crescente das chamadas “canetas emagrecedoras” — medicamentos inicialmente indicados para o tratamento do diabetes e, mais recentemente, utilizados para controle de peso — tem gerado preocupação na comunidade médica.
De acordo com o cirurgião geral Fernando Figueiredo, do Centro Clínico Mãe de Deus, já é possível observar um aumento de casos de pancreatite biliar e de formação de cálculos (pedras) na vesícula associados ao uso dessas medicações.

Como as canetas emagrecedoras podem impactar a vesícula
Segundo o especialista, esses medicamentos atuam reduzindo o apetite e retardando o esvaziamento gástrico. Esse mecanismo, embora contribua para a perda de peso, pode provocar alterações no metabolismo da bile.
“A perda de peso rápida é um fator conhecido para a formação de cálculos biliares. Com o uso das canetas emagrecedoras, esse processo pode ser potencializado, aumentando o risco de inflamações da vesícula e até de pancreatite biliar, uma condição potencialmente grave”, explica Dr. Fernando Figueiredo.
A formação de cálculos na vesícula ocorre quando há alterações na composição da bile, favorecendo a cristalização de substâncias que se transformam em pedras. Em alguns casos, esses cálculos podem migrar e causar complicações.
O que é pancreatite biliar
A pancreatite biliar acontece quando um cálculo bloqueia a saída da bile e do suco pancreático, provocando inflamação do pâncreas.
Os principais sintomas incluem:
- Dor abdominal intensa, especialmente na parte superior do abdômen
- Náuseas e vômitos
- Mal-estar geral
- Em quadros mais graves, necessidade de internação hospitalar e, eventualmente, intervenção cirúrgica
“Temos visto pacientes que iniciaram o uso dessas medicações sem acompanhamento adequado e acabaram evoluindo com complicações que exigem cirurgia”, ressalta o cirurgião.
Uso responsável e acompanhamento médico são fundamentais
O médico reforça que as canetas emagrecedoras não devem ser demonizadas. Quando bem indicadas e acompanhadas por profissional habilitado, podem trazer benefícios importantes no controle do diabetes e da obesidade.
No entanto, não são isentas de efeitos colaterais. A avaliação individual de riscos, o monitoramento clínico e a utilização de medicamentos aprovados pela Anvisa são medidas essenciais para reduzir complicações.
“São medicamentos que podem trazer benefícios importantes, mas exigem acompanhamento médico regular para identificar precocemente qualquer alteração e evitar problemas mais sérios”, afirma Dr. Fernando Figueiredo.
A orientação é clara: antes de iniciar qualquer medicação para emagrecimento, é indispensável procurar avaliação médica, realizar exames quando indicados e manter seguimento periódico para garantir segurança e eficácia no tratamento.
